π…π‘π„π‹πˆπŒπŽ ππ‹πŽππ”π„πˆπ€ 𝐀𝐉𝐔𝐃𝐀 𝐃𝐀 πŽππŽπ’πˆπ‚π€πŽ 𝐀𝐒 π•πˆπ“πˆπŒπ€π’ 𝐃𝐀𝐒 π‚π‡π„πˆπ€π’?


 π…π‘π„π‹πˆπŒπŽ ππ‹πŽππ”π„πˆπ€ 𝐀𝐉𝐔𝐃𝐀 𝐃𝐀 πŽππŽπ’πˆΓ‡π€πŽ 𝐀𝐒 π•πˆπ“πˆπŒπ€π’ 𝐃𝐀𝐒 π‚π‡π„πˆπ€π’?


𝐒𝐨π₯𝐒𝐝𝐚𝐫𝐒𝐞𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐭𝐞𝐦 𝐜𝐨𝐫 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐒𝐝𝐚́𝐫𝐒𝐚?


𝐏𝐨𝐫: π†πšπ₯𝐑𝐚𝐫𝐝𝐨 π•πšπ³ 𝐍𝐞𝐠𝐫𝐨


As denΓΊncias feitas por partidos da oposiΓ§Γ£o em MoΓ§ambique apontam para um cenΓ‘rio inquietante. Em plena crise humanitΓ‘ria provocada pelas cheias, a ajuda Γ s populaΓ§Γ΅es afectadas estaria a ser condicionada por critΓ©rios partidΓ‘rios. Segundo esses relatos, a solidariedade deixou de ser uma acΓ§Γ£o humana para se tornar um instrumento de controlo polΓ­tico.


HΓ‘ registos pΓΊblicos de situaΓ§Γ΅es em que partidos da oposiΓ§Γ£o, ao prestarem apoio ou ao retirarem pessoas de zonas de risco para locais mais seguros, viram essas mesmas pessoas ser afastadas dos centros de acolhimento por nΓ£o terem sido encaminhadas pelo partido Frelimo. O critΓ©rio nΓ£o foi a necessidade, nem a urgΓͺncia, mas a origem polΓ­tica da ajuda.


As denΓΊncias vΓ£o mais longe, dirigentes e militantes da oposiΓ§Γ£o afirmam ter sido seguidos por viaturas estranhas, interpelados pelas autoridades e conduzidos a esquadras para “justificarem” a proveniΓͺncia de alimentos destinados Γ s populaΓ§Γ΅es afectadas. Em alguns casos, relatam ameaΓ§as directas. HΓ‘ ainda acusaΓ§Γ΅es de que estabelecimentos comerciais foram proibidos de vender produtos a partidos da oposiΓ§Γ£o que pretendiam apoiar vΓ­timas das cheias. A oposiΓ§Γ£o Γ© impedida de ajudar, enquanto o partido no poder nΓ£o enfrenta qualquer entrave.


AtΓ© ao momento, ANAMOLA e MDM assumiram publicamente estas denΓΊncias. Ambos defendem um princΓ­pio elementar: A SOLIDARIEDADE E O AMOR NΓƒO TÊM COR PARTIDÁRIA. Num contexto de dor, desespero e perda, nΓ£o deveria importar a filiaΓ§Γ£o polΓ­tica de quem ajuda nem de quem Γ© ajudado. A prioridade deveria ser salvar vidas, mitigar o sofrimento e garantir dignidade Γ s populaΓ§Γ΅es afectadas.


No entanto, o partido no poder parece olhar para a situaΓ§Γ£o por outro prisma. A actuaΓ§Γ£o descrita sugere uma tentativa de monopolizar a ajuda, passando para a opiniΓ£o pΓΊblica nacional e internacional a ideia de que apenas a Frelimo estΓ‘ no terreno a apoiar as vΓ­timas, a calamidade transforma-se, assim, em instrumento de propaganda polΓ­tica. 


Esta postura levanta uma questΓ£o inevitΓ‘vel: UM PARTIDO QUE, AO LONGO DE CERCA DE 50 ANOS, NΓƒO CONSEGUIU RESOLVER FRAGILIDADES ESTRUTURAIS DO PAÍS, PREVENIR VULNERABILIDADES RECORRENTES NEM GARANTIR UMA GOVERNAÇÃO EFICAZ, CONSEGUIRÁ AGORA, SOZINHO, RESPONDER Γ€S NECESSIDADES DE TODAS AS PESSOAS AFECTADAS PELAS CHEIAS? 

A experiΓͺncia demonstra que nΓ£o. Nenhum partido ou governo, consegue enfrentar crises humanitΓ‘rias desta dimensΓ£o sem colaboraΓ§Γ£o ampla e sem incluir actores dispostos a ajudar.


A contradiΓ§Γ£o torna-se ainda mais evidente quando se confronta o discurso pΓΊblico com a prΓ‘tica. Nas cΓ’meras, fala-se de uniΓ£o nacional, paz, amor, unidade entre moΓ§ambicanos e diΓ‘logo inclusivo. No terreno, impede-se a entrega de alimentos, bloqueia-se a ajuda e condiciona-se o socorro Γ  filiaΓ§Γ£o partidΓ‘ria. Pessoas passam fome, enfrentam enormes dificuldades, mas quando alguΓ©m tenta apoiΓ‘-las fora da estrutura do partido governante, esse apoio Γ© travado.


Quando a ajuda humanitÑria é filtrada por critérios políticos, deixa de ser ajuda e passa a ser exclusão. Quando o Estado confunde partido com país, a solidariedade perde o seu sentido mais bÑsico. E quando se impede que alimentos e apoio cheguem a quem precisa, a pergunta deixa de ser retórica e torna-se moralmente urgente: QUE AMOR E UNIÃO SÃO ESSES?

Postar um comentΓ‘rio

Postagem Anterior PrΓ³xima Postagem