Engenheira vende batata para sustentar família

Aos 32 anos de idade, Mércia Fanheiro é um retrato vivo dos desafios enfrentados por muitos jovens qualificados em Moçambique. 

Mãe de dois filhos e licenciada em Engenharia Eléctrica, considerada a melhor estudante do seu curso, ela exerce actualmente a actividade de venda de batata e cebola numa esquina do bairro Patrice Lumumba, como forma de garantir o sustento da família.

À primeira vista, a banca improvisada pouco revela o percurso académico de excelência que Mércia construiu ao longo dos anos. No entanto, por detrás da actividade comercial diária existe uma história marcada por resiliência, dedicação aos estudos e persistência perante as dificuldades. 

A jovem concluiu a licenciatura em Engenharia Eléctrica na Universidade Politécnica, depois de uma primeira experiência académica que não teve sucesso, quando tentou frequentar o curso de Meteorologia na Universidade Eduardo Mondlane.

Durante a sua formação em Engenharia Eléctrica, Mércia destacou-se pelo desempenho académico, sendo reconhecida como a melhor estudante do curso. 

A conclusão da licenciatura representou não apenas uma vitória pessoal, mas também a esperança de uma inserção profissional condizente com a sua qualificação. Contudo, após a formação, o acesso ao mercado de trabalho revelou-se um desafio maior do que o esperado.

Sem oportunidades de emprego na sua área de formação, Mércia optou por recorrer ao comércio informal como alternativa imediata para garantir a sobrevivência da família. 

A venda de produtos alimentares básicos, como batata e cebola, tornou-se a principal fonte de rendimento, permitindo-lhe responder às necessidades diárias dos filhos, ainda que distante do sonho profissional construído ao longo dos anos de estudo.

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A situação vivida por Mércia Fanheiro reflete uma realidade comum no país, onde muitos jovens formados no ensino superior enfrentam dificuldades de inserção no mercado de trabalho, apesar das elevadas qualificações. 

O caso levanta debates sobre o alinhamento entre a formação académica e as oportunidades de emprego, bem como sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes para a absorção de quadros nacionais.

Apesar das adversidades, Mércia não esconde o orgulho pelo percurso académico alcançado e mantém viva a esperança de, um dia, exercer a profissão para a qual se formou. 

A sua história inspira reflexão sobre a resiliência feminina, a valorização da educação e os desafios estruturais do mercado laboral moçambicano. Continua LER Clique Aqui

Fonte da notícia: Jornal Domingo

Foto: Jornal Domingo

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